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Morre Vida Alves, atriz que deu o primeiro beijo hétero e gay da TV brasileira!

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Morreu às 22h desta terça-feira (3), aos 88 anos, a atriz e escritora Vida Alves, que deu o primeiro beijo da TV brasileira, na novela “Sua Vida me Pertence” (1951), e o primeiro beijo gay da TV brasileira, no teleteatro “A Calúnia” (1964). Ela estava internada no hospital Sancta Maggiore, em São Paulo, desde 28 de dezembro. A causa da morte foi falência múltipla dos órgãos.
A saúde da atriz se complicou há um ano, quando se submeteu a uma cirurgia, mas o problema persistiu. O velório começou às 8h desta quarta-feira (4) no cemitério do Araçá , na região central de São Paulo. O enterro está marcado para as 16h, no mesmo local.
Vida Amélia Guedes Alves nasceu em Itanhandu (MG) em 15 de abril de 1928. Avó da cantora Tiê, teve uma carreira que durou mais de mais de 70 anos. Começou no rádio e depois atuou em telenovelas, contracenando com grandes nomes, como Tarcísio Meira, Glória Menezes, Eva Wilma e Aracy Balabanian. Trabalhou ainda no cinema, apresentou programas na TV e escreveu novelas.
Em 1995, ela criou junto com outros artistas a Associação dos Pioneiros Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira, conhecida como Pró-TV, que busca preservar a memória da TV brasileira e da qual era presidente. Vida Alves colecionava itens raros do período do lançamento da TV no Brasil e tinha um museu na própria casa onde morava. Sua trajetória é contada na biografia “Vida Alves – Sem medo de viver” (Imprensa Oficial), de Nelson Natalino, lançada em 2013.
Uma das filhas de Vida, Taís, falou ao “Hora 1” sobre o legado da mãe. “Vida foi uma inovadora, uma beijoqueira. E eu ainda brincava: ‘Vidinha, ainda bem que você não deu o segundo beijo [da história da TV], porque do segundo beijo ninguém fala. Ela foi a primeira beijoqueira”.
Tiê comentou a morte de sua avó em sua página oficial no Facebook. “Dona Vida Alves fez a passagem. Minha amiga, minha avó, minha parceira, minha musa beijoqueira. 88 anos de muita luz, amor, arte e vida. Vire estrela e descanse em paz. Te amo pra sempre e vou sentir saudades todos os dias”, escreveu a cantora.
A Pró-TV divulgou nota sobre a morte de Vida Alves, a quem chamou de “símbolo da televisão”. “Incansavelmente, ao lado dos colegas de profissão, lutou pela criação de oficial do Museu da Televisão Brasileira, que por 13 anos abrigou dentro de sua casa, e pela preservação da memória da radiodifusão”, diz a nota. “Nesse momento difícil, nos solidarizamos com a família de Vida Alves, com seus amigos e colegas da área, que ela sempre fez questão de representar”.
Vida Alves foi entrevistada pelo G1 em 2014, para comentar o último capítulo da novela “Amor à Vida”, em que Niko (Thiago Fragoso) e Félix (Mateus Solano) protagonizaram o primeiro beijo gay em novelas da TV Globo. Ela se disse orgulhosa do fato de seu trabalho ter sido lembrado. Afirmou ter ficado emocionada ao saber que pessoas comemoraram a cena nos bares: “Foi suave, romântica e leve”.
O primeiro beijo heterossexual da TV brasileira foi na novela “Sua Vida me Pertence”, de 1951, na TV Tupi. O par romântico dela era Walter Forster (1917-1996), também diretor da trama. Gravada ao vivo, a cena era uma ousadia para a época. O pudor era tão grande, lembrou Vida, que o fotógrafo da TV Tupi não registrou o momento do beijo – ela dizia que o profissional considerou que a imagem não seria publicada na imprensa. “Foi um ano após a inauguração da TV. Foi um beijo técnico, não poderia ser diferente. Walter Forster era dez anos mais velho que eu. Era o diretor artístico, de certa forma meu chefe”, lembrou a atriz.
“Eu fui escolhida para fazer um par romântico pois havia me casado um ano antes, tido um filho, então estava fora da TV. Ele achou que eu era certa pois não tinha uma cara muito ‘gasta’ na TV. Ele explicou ao meu marido, numa visita à minha casa, como seria. Absolutamente marcado. ‘Tal postura, tal olhar, a boca ligeiramente aberta, me aproximo e fico uns segundinhos’. Assim foi feito, sem ensaio, tudo ao vivo.”
Vida Alves foi pioneira novamente no teleteatro “A Calúnia”, em que protagonizou um beijo gay, com a atriz Geórgia Gomide (1937-2011). Vida contava que o beijo aconteceu em 1964. Outros registros do beijo dizem que ele foi apresentado em dezembro de 1963. “São coisas que existem, e se bem focadas e realizadas, contribuem para uma sociedade mais aberta e mais consciente”, afirmou ao G1. Ela se lembrou da gravação: “As duas moças, eu e a Geórgia Gomide, (…) sentaram-se uma perto da outra. Deram as mãos e disseram que se amavam. Deram um beijo, também de uma forma mais romântica que erótica”.
Questionada se a repercussão do beijo gay foi maior do que a do beijo hétero, respondeu afirmativamente. “Era 1964. Já havia videotape. Já procurei essa fita, mas não achei. Eu me lembro dos comentários. Diziam que ‘estamos ficando extravagantes’. Mas não foram tão exagerados”.Para ela, o evento teve importância social. “São coisas que existem, e se bem focadas e realizadas, contribuem para uma sociedade mais aberta e mais consciente”, disse. Em entrevista à TV Globo, completou: “Sinto orgulho de ser elemento formador da TV”.
Fonte: G1.

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