domingo, 30 de agosto de 2015

"Nunca senti tanta vergonha na vida", diz Cláudia Ohana sobre cena de sexo com Mariana Ximenes 30 anos depois de polêmico ensaio nu, a atriz conta que se depila

"Antigamente não fazia nada, nem sobrancelha. Mas hoje temos que hidratar o cabelo, cuidar da pele...e depilar", diz a atriz (Foto: Pino Gomes )

Lá se vão 30 anos desde que Cláudia Ohana, 52 anos, posou nua pela primeira vez para uma revista masculina. Na época o fato de a atriz, digamos, ter deixado os pelos das partes íntimas ao natural, deu o que falar. E ainda dá. "Às vezes enche o saco ainda falar disso", diz ela, que completa 35 anos de profissão e para celebrar a data faz o primeiro monólogo da sua carreira, A Voz Humana, em turnê pelo país. Além da peça ela está no elenco de Zoom, filme que estreia no fim do ano, no qual interpreta Alice, uma hippie bissexual com direito a uma tórrida cena de sexo com Mariana Ximenes. Para o papel, detalhe, o diretor Pedro Morelli pediu que Cláudia deixasse os pelos axilas crescerem.     
Incomoda ser lembrada até hoje pela falta de depilação?
Às vezes dá no saco, porque no meio de um trabalho nada a ver com isso, a pessoa me pergunta sobre pentelhos. Ainda? O engraçado é que faz mais sucesso hoje do que fez na época porque era normal as mulheres não se depilarem. Mas fiquei para a história. Hoje eu depilo, estou em outra época.
Cláudia Ohana na lendária capa da revista Playboy que, ainda hoje, dá o que falar (Foto: Reprodução Revista Playboy)
Como foi fazer cena de sexo com Mariana Ximenes?
Já fiz muita cena de sexo e nudez no cinema, mas nunca nada com mulher. Não sabia como agir. Fiquei pensando nos homens, em como eles faziam comigo. Tivemos poucos dias para criar intimidade e apesar da Mariana ser muito parceira, nunca fiquei com tanta vergonha na vida. Eu ainda era a ativa da relação e o diretor gritava no set: ''Vai lá, com pegada'. O contraponto é que sou muito mocinha, então foi difícil. Mas posso dizer que fiz minha estreia nesse sentido com pé direito, afinal Mari é linda.
Como lida com o título de símbolo sexual?
Sensualidade é uma coisa que nasce com a pessoa. E isso muda muito com o tempo. Antigamente a beleza era mais natural, hoje existe o silicone, a mulher com o corpo masculino. Gosto vai mudando e a pessoa pode ser sexy em qualquer estilo. Mas acho muito legal alguém me achar sexy. Geralmente as pessoas tinham uma curiosidade comigo. Achavam e ainda acreditam que sou uma devoradora de homens, mas não tem nada disso. Nunca me preocupei em ser sensual na cama.
Como surgiu a ideia de encenar um monólogo?
Depois que fiz Callas (com direção de Marília Pêra este ano) percebi que podia fazer um monólogo, porque Callas sofreu muito por amor e me senti corajosa. Me lembrei muito dos conselhos da Marília, que me deu toques fundamentais. Há quatro anos, quando fui dirigida por Domingos (de Oliveira) em Clímax, ele plantou a sementinha sobre o texto e fiquei com isso na cabeça. Tudo foi se encaixando, mas não temos patrocínio e fomos nós que bancamos a peça.
A atriz posou novamente nua em 2008, aos 45 anos, em ótima forma: "Faço yoga, não bebo e não fumo"  diz (Foto: Reprodução Revista Playboy)
Tem receio da crítica?
Para o papel, tem que ter uma carga de vida, ter sofrido e isso eu conheço muito bem. Quando começo a falar o texto, o choro vem imediatamente. Existe uma entrega no palco e fico exausta no final. Teatro é uma coisa catártica, a gente deixa as dores do palco. Acredito que essa verdade será passada ao público.
Já sofreu por amor?
A gente sempre tem um amor intenso uma vez na vida. Tem gente que vive de amores intensos, mas isso cansa muito e acho meio patológico repetir o erro. Hoje isso não aconteceria comigo. No momento não estou namorando e estou solteiríssima.
Como lida com a chegada da idade?
Tenho que aceitar ou ficar histérica e viver no cirurgião plástico, e isso não faz meu gênero. Mas se algo me incomodar, faço uma intervenção tranquilamente. Reconheço que a transição foi difícil, porque tenho um visual de garota e sempre atuava como tal. Hoje estou na fase da yoga, não bebo e nem fumo e atualmente sou disciplinada. Antigamente não fazia nada, nem sobrancelha. Mas hoje temos que hidratar o cabelo, cuidar da pele...e depilar.
Mariana Ximenes, Cláudia Ohana e o diretor Pedro Morelli em um dos intervalos das filmagens de Zoom (Foto: Reprodução Instagram)

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