sábado, 25 de fevereiro de 2012

‘Aquele Beijo’ estabelece duelo entre o sarcasmo e o singelo

Giovanna Antonelli convence como a arquiteta Cláudia. Foto: TV Globo/Divulgação
Giovanna Antonelli convence como a arquiteta Cláudia
A caricatura é uma das premissas de Aquele Beijo. Tal como o horário das 19h exige, a maior parte das produções da faixa envereda para a comédia, para personagens fantasiosos, situações burlescas e apelos exagerados que algumas vezes costumam interessar mais crianças do que adultos.
Prova disso são os personagens de Morde & Assopra, por exemplo, antecessora da trama atual de Miguel Falabella. Dinossauros, robôs e muita aventura foram o universo confortável do imaginário infantil da história, que teve média de 28 pontos na audiência. Menos lúdica, porém mais cítrica, Aquele Beijo se estabiliza com 25 pontos de média ao tentar abrir o leque para o público mais adolescente e para as donas de casa.
Enquanto a fatia “teen” da audiência é atraída pelos conflitos de Agenor, do ídolo Fiuk, e Belezinha, de Bruna Marquezine, as senhoras do lar tendem a se identificar com os núcleos mais cômicos, como as curiosas personagens portuguesas. Isso sem falar na narração do autor, que pontua as cenas com frases de efeito e um tom quase de conto de fadas, que lembra constantemente o público que tudo se trata da mais pura ficção.
Esta assinatura de Miguel é como um carimbo debochado na história, uma onipresença reafirmada a cada capítulo. É como se o autor marcasse seu território intencionalmente. Sendo assim, cada “frame” parece calculado com precisão. Como o humor pontuado nos personagens propositalmente caricatos. Por exemplo, a travesti Ana Girafa, de Luís Salém, e até o conservador Felizardo, de Diogo Vilela, que tinge sua interpretação com cores excessivamente carregadas, principalmente pelo sotaque forçado e teatral.
Muitas das características da trama são propositalmente irônicas, como a ardilosa personagem de Leilah Moreno se chamar Grace Kelly. Ou mesmo Damiana, de Bia Nunes, que recebe o nome de uma planta afrodisíaca na história. Tudo remete ao universo lúdico e ao mesmo tempo sarcástico de Falabella.
Ao seu redor, faltam apenas atuações que propositalmente denunciem essa intenção de ser um autor provocador, que tenta exprimir, com lentes de aumento, as ações mais cotidianas com uma acidez acentuada. Em contrapartida, Miguel contrabalança seu veneno ao apresentar protagonistas pouco psicanalisados e até singelos, que mais parecem sair de comédias românticas de Sessão da Tarde.
Giovanna Antonelli convence como a confusa arquiteta Cláudia, mas causa mais comoção que admiração e se perde no posto de mocinha ao ser excessivamente humanizada. É o contraponto de uma história lapidada pela ironia.
As informações são do Portal Terra

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