segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

‘O Brado Retumbante’ traz a política de volta à ficção televisiva

Apesar de “O brado retumbante” se passar em um Brasil fictício, as questões retratadas na minissérie — que estreia na terça, após o “Big Brother Brasil 12” — são bastante reais e conhecidas de todos nós. Corrupção, traição e conflitos amorosos compõem essa história de oito capítulos, que traz o advogado Paulo Ventura (Domingos Montagner) no centro da ação. Homem cheio de princípios, eleito deputado e querido por seus eleitores, com quem se comunica por meio de um blog, o “Sonho intenso”, ele é escolhido presidente da Câmara devido a uma jogada política articulada por seus oponentes. E Paulo nem imagina o que está por vir nos próximos 15 meses de sua vida. Após um acidente aéreo que culmina na morte do presidente do país e de seu vice, ele se vê no mais alto cargo do poder Executivo. Enquanto aprende a lidar com os problemas inerentes à função, precisa também organizar sua vida pessoal.
— Quis mostrá-lo como um ser humano. Uma pessoa que erra e tem problemas — explica Euclydes Marinho, autor da série, que conta com a colaboração de Nelson Motta, Denise Bandeira e Guilherme Fiúza.
Euclydes passou três anos trabalhando no roteiro e afirma que não se prendeu a fatos reais. Em sua trama, a capital do país é ambientada no Rio de Janeiro.
— Tivemos liberdade poética. Eu, por exemplo, acho o interior de Brasília muito feio — afirma o autor.
Ao longo dos capítulos, o telespectador vai ficando por dentro da vida de Paulo. Extremamente mulherengo, ele vive uma crise conjugal com a mulher, Antonia (Maria Fernanda Cândido), e tem uma relação complicada com os filhos, Marta (Juliana Schalch) e Julio (Murilo Armacollo), que é transexual.
— Antonia é uma professora de História que tem maturidade e equilíbrio. Ela sofre com essa relação, o amor deles é conflitante. Mas é nela que Paulo busca segurança durante o mandato — explica Maria Fernanda Cândido: — É uma série política, mas que trata de relações familiares, ciúme e traição.
Para Ricardo Waddington, diretor de núcleo, “O brado retumbante” resgata uma temática pouco abordada ultimamente, a vida política.
— A ficção política sempre esteve em voga nas obras de Dias Gomes e Lauro César Muniz, por exemplo. Há muito tempo a Globo não faz algo assim e precisamos ter em mente que a vida política faz parte da nossa vida — insiste.
Todavia, o cuidado foi grande para que nomes, lugares e situações não remetessem à realidade.
— Os acontecimentos que mostramos podem acontecer em qualquer democracia. Sabemos que é um assunto sensível. E Paulo é totalmente ficcional — frisa.
Domingos Montagner defende seu personagem. Segundo o ator, apesar de seu idealismo, Paulo passa longe da ingenuidade:
— Ele tem um purismo de ideais interessante. É muito ousado e tem um propósito ético.

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